
“O mundo é gay”
Por Euzeni Daltro
Ouvi-se falar que “o mundo é gay”. Será que é mesmo? Ao que me parece, a resposta para essa indagação não está no discurso modista que diz: “eu não tenho preconceito”, mas sim no cotidiano de um homossexual que é obrigado a conviver com a sexualisação de suas relações com as pessoas do mesmo sexo.
“O mundo é gay”, mas os homossexuais continuam sendo vítimas de piadinhas preconceituosas, as quais determinam que mulher deve gostar de homem e homem deve gostar de mulher. “O mundo é gay”, mas ainda existem lugares que proíbem a entrada de casais do mesmo sexo. “O mundo é gay”, mas os homossexuais continuam sendo vítimas de violência física que muitas os levam a morte.
Qualquer gesto de educação, gentileza, apoio e sinônimos por parte de um homossexual é interpretado pelos “heteros” como, o que grosseiramente costumam chamar de, “segundas intenções”. É como se as pessoas perdessem a capacidade de ser educadas, gentis (e sinônimos) pelo simples – e particular – fato de gostar de alguém do mesmo sexo.
Essa questão leva-me a José Datrino, chamado Profeta Gentileza, conhecido por fazer inscrições sob um viaduto no Rio de Janeiro. Datrino pregava a paz, a qual considerava que seria alcançada por meio da gentileza. Daí uma de suas frases mais conhecidas: “Gentileza gera gentileza”. No entanto, é possível observar que quando se trata dos homossexuais o sentido parece mudar: a gentileza gera indiferença e a paz é melhor nem comentar.
Sinceramente acho que, enquanto houver o respeito, ninguém tem o direito de julgar ou descriminar – seja homossexual ou não.
É isso povo, fica aqui a reflexão.
Ah! E cuidado com o que andam dizendo por aí. Como diz Cecília Meireles: “Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a vossa”.
Abraços!
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*Lembrando que o blog está aberto para análises, críticas e textos.
COMUNICARTE
3 comentários:
Infelizmente nossa sociedade evoluiu pra um lado, mas o psique humano de julgar, criticar e envergonhar o próximo persistirá durante muito tempo.
Não falo só em relação aos homossexuais,mas também outros seres humanos que nos fazem lembrar à CASTAS da sociedade.
Deveria se criar um mundo só para o "marginal", o "comunista", "putas", "viados", "sapatões", o "maconheiro" e o "preto". Deveria existir um mundo reservado para esses "criminosos de alta periculosidade", já que nós homo sapiens sapiens,para quem não conhece a história da evolução do homem(homens que pensam e sabem que pensam)não estamos aqui para compreender o próximo e sim pisá-lo!
Vamos terminar de afogar o nossos inimigos assim como fizeram na ditadura militar.
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Ah....esquecí de dizer que o texto ficou muito bom!!!
Parabéns!!
Acredito que o pré-julgamento das pessoas é um processo inevitável, portanto, não podemos nos basear em expressões fundadas em revolta frente à repressão para construirmos o nosso discurso. Os homossexuais precisam ocupar espaços significativos na mídia e representarem a classe com classe. De nada adianta aumentar a quantidade de homossexuais na televisão, por exemplo, se a representação se der por pessoas que mantém o esteriótipo tão criticado por muitos e forem "os mantenedores de um padrão deturpado". Ou será que o mundo é gay de forma mascarada porque os gays que aparecem na telinha representam a mais pura realidade?
Alexandre Santana
Salve comunicarte!
De fato, “o pré-julgamento das pessoas é um processo inevitável”, mas pode ser controlado, digamos assim (alguns jornalistas que o digam).
Confesso que acho complicado construirmos os nossos discursos tomando como base o que é mostrado pela mídia. Tomando o que a mídia veicula como realidade. O comentário acima se mostra generalista quando atribui a todos os homossexuais o estereótipo “tão criticado por muitos”, como diz o autor, que continua: “e forem ‘os mantenedores de um padrão deturpado’". Ao mesmo tempo também é etnocêntrico, pois assim como existem homossexuais estereotipados, também existem heterossexuais estereotipados.
Ah! Mais é claro! Não podemos construir os nossos discursos fundamentados na morte de uma criança por falta de comida, nem na de um índio por dormir na rua e não ter o mesmo “nível” de seus agressores, tampouco nos maus tratos que os negros sofrem por terem uma quantidade maior de melanina, e nem pensar nas agressões sofridas pelos homossexuais. Mais é isso mesmo, não devemos criar nossos discursos em cima das imposições da sociedade, mas sim, na generalização e no etnocentrismo de cada um, e, sobretudo, no que a mídia veicula.
Abraço,
Euzeni Daltro.
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